domingo, 17 de maio de 2020

Cuidado

                                                                                              Por Antonio Valente


Eu vi um sonho assim

Eu havia recebido uma significativa quantidade de cédulas de dinheiro em dólares. Não sei a origem delas. Mas, arrumei-as todas em maços, bem cuidadosamente, em várias caixas de papelão, como aquelas que vinham antigamente embalando as camisas masculinas.
Depois, guardei-as todas, escondi as caixas num roupeiro, por incrível que pareça.
E elas, algum tempo, depois desapareceram por completo.
Meu desespero é que havia perdido um quantidade considerável de dinheiro, irremediavelmente. 
Nesse sonho, eu morava ainda na casa dos meus pais. Imaginei que alguém tivesse entrado lá e descoberto o meu tesouro.
Mas depois de muita aflição, descobri que foi minha mãe, preocupada com a minha falta de cuidado, trocou as caixas de lugar, escondendo-as.

Então eu abri meus olhos e despertei

Montanha Fractal




                         Por Fabio Dal Molin
Eu vi um sonho assim
Estava em uma casa que ficava em uma praia com rochedos imensos, areia grossa e o mar da cor marrom. Um dia frio e nebuloso. Eu flutuo pelos cômodos e salto para cima até uma altura onde à possível ver a casa, o mar em fúria e as montanhas da costa. As ondas ficam cada vez maiores e eu vôo entre elas o mar de ondas barrentas invade a praia e faz muito frio,
Então percebo que há outro mar revolto e marrom escuro por trás das montanhas e suas ondas imensas avançam na minha direção.
Tenho a impressão que estou dentro de um fractal mar em fúria- casa- montanhas-mar em fúria casa-montanhas...Até o infinito como dois espelhos frente a frente em uma escala geológica
A água irrompe o cenário e tudo agora parece ser uma imensa inundação

Então eu abri meus olhos e despertei

sexta-feira, 8 de maio de 2020

Sonho de Maria Rita 2

                                                                                                            Por Maria Rita

                           
Eu vi um sonho assim



Então eu abri meus olhos e despertei

Templo budista?

                                                                                          Por Raquel Bonatto


Eu vi um sonho assim
Estávamos eu, minha prima e minha mãe em algum lugar que parecia um tempo budista. Lá, haviam budas e seus vários símbolos de mãos, haviam nas paredes escritos orientais, sons de cachoeira e a luz do sol quase me cegava aos olhos.  Também  dragões enormes (em forma de bonecos) andando pelo lugar... apesar de nunca ter ido a um templo budista De repente  minha mãe me diz, me pegando pela mão: vamos ali ver o  lado mais bonito é importante desse lugar. E fomos caminhando por um campo, um lugar enorme, cheio de árvores e galhos e durante o caminho, eu ia observando bichos peçonhentos, escorpiões de garras das cores vermelho e roxo, e só de cor vermelha também... e entao depois de muito assustada perguntei pra minha mãe: “tu não ta achando tudo muito estranho? Tu não tá com medo?”  E ela disse: “ por que maninha”? Está tudo como tinha que ser. (meu apelido desde pequena é “maninha”.
Mas o pior realmente ainda estava por vir: chegamos em uma casa onde só haviam pessoas com 4 pernas, 2 cabeças, quatro braços, tripas pra fora e pés que tinham garras... assustada, perguntei: tu não tá vendo o que eu to vendo? Essas pessoas me dão me medo! 

E minha mãe me disse: raquel, eu não entendo o que demais tu estás vendo...

Então abri meus olhos e despertei 







sábado, 2 de maio de 2020

Rocket man e os três caixões






Eu vi um sonho assim

Eu e meu irmão mais velho José Eduardo estamos em um enterro. O lugar onde a cerimônia está acontecendo é muito limpo , parece um corredor enorme com paredes brancas e o piso é de madeira encerada a ponto de refletir a imagem do teto. Parece uma das capelas do Crematório Metrolitano, luxuosa, com frigobar e máquiina de salgadinho, recém-construída como símbolo da necropolítica, da morte lucrativa, da gentrificação dos lamentos.
Eu vejo três caixões brancos de madeira lado a lado. Meu irmão pergunta quem está neles.
Eu consigo ver meu pai dentro de um dos caixões e isso faz com que eu sinta muito medo, um aperto no peito, como se o ar fizesse pressão sobre meu corpo. Meu pai está morto há muitos anos e agora ele está ali dentro de um sarcófago nem vivo nem morto.
Eu vejo o corredor comprido que parte dos caixões e a gravidade me empurra como se eu fosse expelido do sonho.
Lembrei que hoje no carro escutei a música Rocket Man do Elton John e como eu gostaria de ser o homem foguete e fugir do mundo para uma outra galáxia livre do medo


Então eu abri meus olhos e despertei
















sexta-feira, 1 de maio de 2020

Sonho de Maria Rita



Eu vi um sonho assim



                                                                                           
                                                                             Então eu abri meus olhos e despertei

Interruptor

                                                                                                                       Por Fábio Dal Molin




Eu vi um sonho assim


Acordei de madrugada para tomar água. Não é o meu apartamento, parece uma casa bem grande, cheia de quadros, mobília vintage, arquitetura moderna. As luzes estão acesas e há vários interruptores distribuídos pelas paredes.
Tento apagar a luz da cozinha mas o interruptor acende uma lâmpada que está  no vão de uma escadaria. Há alguns lances de escada visíveis que chegam até um mezanino com um teto de vidro e até lá há lustres, abajures e luminárias
Vou testando todos os interruptores e teclas que encontro e as luzes apagam e acendem aleatoriamente.
Resolvi desistir e voltar a dormir


Então eu abri meus olhos e despertei

Lembrando de Waking Life

https://www.youtube.com/watch?v=T2NRZ6uS9ws

De volta

                         Por Julio Porto

Eu vi um sonho assim


Pois sonhei essa noite que tinha voltado pro Batista (mas não era o mesmo lugar). E tinha que fazer uma prova de Quimica (pesadelo). Era só uma pergunta (muito parecido com o tema de casa que ajudei a minha filha a fazer na tarde anterior), num papel quadrado pequeno. Só que empaquei na hora de preencher os dados: não sabia o número da minha turma. Enquanto todos faziam a prova, saí andando tentando descobrir, perguntando, entrando em salas, encontrando pessoas. Desisti, voltei pra classe pra tentar responder, e aí recolheram a prova pois tinha acabado o tempo. Pensei "vou tirar a zero, a média vai baixar muito, será que vai ser o suficiente pra eu rodar...?" E me deu uma certa ansiedade/angústia. Mas durou muito pouco e pensei "grande merda, azar". Fim

sexta-feira, 24 de abril de 2020

O piloto desconhecido

                                                                                                                        Por Amanda Alfaia





Eu vi um sonho assim:

Estou num local de águas escuras e muito calmas, com árvores semisubmersas, tal como tantos igapós do Norte. Estamos dentro da água, eu e toda essa gente que eu não conheço, mas que parece bem feliz. Parece um retiro como um dos tantos que fui na adolescência.

Tem um homem discursando emocionadamente numa plataforma de madeira, um pouco acima do nível da água. Eu conheço aquele homem. "Eu sou um sobrevivente", ele dizia. O homem é o Júlio, reitor do IFRS. Importante isso que o Júlio tá falando, pensei.

De dentro da mansidão do rio, presto atenção na fala dele e olho mais acima, olho pro céu, avisto algo, aponto com o dedo e grito: Olha!
Todos olham pra cima e veem o mesmo que eu vejo: tem um avião caindo em nossa direção. Era daqueles aviões pequenos, que só cabe o piloto, um avião antigo, parecido com um avião de guerra. Pânico e gritaria quando todos tentam sair da água desesperadamente. É em vão, o avião cai em cima de nós.

Estou submersa. A água é turva, mas consigo ver destroços das árvores, do avião, pessoas nadando, tentando emergir pra respirar. Não fui atingida por nada, estou bem.
Há uma preocupação geral com o piloto, que é resgatado e está vivo, apenas inconsciente. Então, pego esse homem nos braços e, sozinha, corro atrás de ajuda.

No hospital, me deparo com a recepcionista, que não me olha nos olhos, dizendo que não tem vaga. "Mas é uma emergência!", eu grito com ela, com raiva pelo desdém. Ainda sem me olhar, ela aponta para uma escadaria outro lado da rua, e diz que eu tenho que ir lá primeiro, fazer triagem para tentar atendimento.

Eu, uma menina magra, continuo carregando esse homem molhado nos braços, mas não estou cansada, não tenho dor, pelo contrário, tenho muita raiva e energia pra correr. Eu estou realmente preocupada com esse desconhecido.

Atravesso a rua, desço uma enorme escadaria com azulejos azul esverdeados. Olho pra ele enquanto desço, ele está tentando abrir os olhos, talvez delirando, ele me olha nos olhos por 1 segundo, acho que não sabe o que está acontecendo. Ele é realmente muito bonito. Usa um clássico capacete retrô de aviador, com os óculos vintage de aviador sobre o capacete de couro.

Me deparo com outra recepcionista que me manda preencher um enorme formulário de cadastro. Mais uma vez, mas com muito mais raiva e indignação grito com ela: "É uma emergência, ele vai morrer!".
Ela me manda voltar pra mesmo prédio onde eu estava antes e tentar atendimento. Subo a escadaria enorme, atravesso a rua, entro voando pelo hospital.

Os corredores são confusos e parecem um labirinto com o mesmo azulejo azul esverdeado, que dá uma cara de sujo e mal conservado. Chego ao refeitório mal iluminado, tem apenas um enfermeiro fazendo sua refeição, todo de uniforme, triste, cabisbaixo. Pergunto pra ele onde consigo atendimento e o enfermeiro triste aponta com seus talheres pra uma passagem no corredor. Pergunto enfática e duvidosa: "Ali?". Ele apenas confirma com a cabeça.

Mais parece um depósito imundo, um almoxarifado abandonado. Lençóis usados e sujos amontoados bem no caminho e chego a um consultório amplo, imundo, escuro, de azulejos azul esverdeados. 
Tem dois homens de jaleco branco sentados. O de meia idade, cabelo e barba branca, que está junto à bancada, com aqueles instrumentos arcaicos, que mais parecem de tortura, eu sei que é o médico. O outro homem jovem, é um estudante, deve ser o filho dele, está de costas numa bancada de estudos, lendo livros, desdenha da minha presença.

Estou parada, sem saber o que fazer, com o piloto nos braços. O médico fala muito baixo comigo. Não consigo ouvir tudo mas sei que ele está falando inglês. Ele continua afrontando minha paciência, sussurando coisas em inglês. Uma música? Será que ele é gringo? 
"I can't hear you!", eu falo bem alto pra ele. "Bota logo ele aqui!", o médico responde, apontando pra bancada.

Estendo o homem bonito sobre a bancada cheia de instrumentos antigos, ele já está muito pálido e com os lábios roxos, mas só agora me dou conta disso. 
O médico diz: "iiih, esse aqui já era...", então enfia uma enorme cânula no ouvido do piloto, ela atravessa até o outro ouvido, de onde sai um líquido preto viscoso que vai direto para um enorme tubo de ensaio. "Viu só?", o médico fala pra mim. "Mas tu nem tentou nada, tu matou ele", foi só o que eu consegui dizer, aterrorizada com o sadismo da situação.

O jovem estudante às nossas costas se vira e faz um brinde à morte do piloto desconhecido com sua xícara de café preto. Ambos riem muito. O consultório é tomado por outros estudantes, alguns interessados em observar o procedimento que foi feito ali, a maioria rindo, conversando, bebendo, nem um pouco se importando com o ritual sádico de rotina.

Então abri meus olhos e despertei.

quarta-feira, 22 de abril de 2020

Não se transformou em humano


Por Sander Machado



Eu vi um sonho assim:

Caminho pelas ruas de um bairro de periferia. Ao longe avisto um grupo de antigos amigos, a maioria destes não vejo há anos. Entre eles, porém, está uma mulher de meia idade, ruiva, mas com uma presença jovial e traços de quem já foi muito bonita.

Cumprimentos surpresos são trocados entre os amigos. Diante da mulher ruiva, pergunto seu nome. Então ela responde: "Não lembra mais de mim? Sou aquela lebre vermelha que tu deu de presente para família do C. quando eram mais novos."

Então, dentro do sonho, tenho um flashback: estou saindo da casa onde morei na infância com uma lebre vermelha e enorme no colo. Do outro lado da rua, a gurizada se aquece para o tradicional jogo de futebol no meio da rua. Entrego o bicho para um dos garotos que a recebe com naturalidade. Ela fica por ali, na calçada, farejando algo. 

De repente um cachorro escapa de um pátio vizinho e corre na direção da roedora. Seguro o cão no último instante possível. Ela, aterrorizada, fica virada de barriga para cima, paralisada. Então, deixo ele cheirá-la. A lebre fica ainda mais assustada e me lança um olhar de desaprovação.

Volto para a cena com a mulher ruiva. Agora existe uma sutil tensão sexual entre nós. Ela cheira meu pescoço. Ao fundo, escuto os latidos do mesmo cachorro que nos observa por de trás das grades de um portão.

Então a mulher-lebre diz: "ainda tenho aqueles problemas, ele não se transformou em humano ainda".

Todos ao redor haviam se tornado animais.

Então abri meus olhos e despertei.